esta imagem nasce de uma contradição. um corpo está presente, mas seu olhar foi retirado. ao redor, centenas de cadeiras vazias parecem esperar por alguém que nunca chega, ou talvez por alguém que já esteve ali e deixou apenas a marca de sua ausência. o personagem permanece sentado entre essas possibilidades, preso a um espaço que pode ser visto por todos, menos por ele. a venda não representa apenas a impossibilidade de enxergar. ela cria uma outra forma de visão. quando os olhos desaparecem, o espaço deixa de ser apenas aquilo que está diante do corpo e passa a existir também como imaginação, memória e desejo. talvez não ver seja uma maneira de perceber aquilo que o olhar costuma esconder.